Lições de Neurociência para Líderes

Melhore a sua liderança com Neurociência

Você sabia que conhecer as estruturas do cérebro e o jeito que ele funciona pode impactar na liderança da organização? A Neurociência pode parecer muito complexa, principalmente para quem está tendo o primeiro contato com esse conhecimento, mas você pode estudar a partir de conceitos básicos e aos poucos entender melhor como tudo funciona. Abaixo, temos algumas lições de neurociência que podem ser muito úteis para gestores e líderes de organizações.

1. Plasticidade do Cérebro

Antigamente, pensava-se que quando o indivíduo alcançava uma determinada idade, o cérebro parava de se desenvolver e não poderia mais ser mudado. Com estudos mais avançados, provou-se que isso não é verdade. Pode ser mais difícil mudar alguns aspectos do cérebro depois de um certo tempo, mas o cérebro ainda possui bastante plasticidade no decorrer da vida útil do ser humano. O cérebro continua se reformulando e se atualizando com base no quanto os seus circuitos são utilizados. Isso significa que sempre podemos aprender coisas novas.

Os circuitos são criados através das conexões dos neurônios. Cada neurônio tem em média 10 mil “braços” denominados dendritos, que se conectam com outros neurônios. A conexão entre as células é chamada de sinapse e ocorre dentro de um pequeno espaço chamado fenda sináptica.

Os neurônios compartilham informação enviando e recebendo neurotransmissores por essa fenda. Os neurotransmissores iniciam um processo químico que culmina na geração de um potencial elétrico, que é a informação que percorre o neurônio e é transmitida para o próximo com a mediação de um neurotransmissor.. Esse processo de “carga elétrica – neurotransmissores – carga elétrica” é o que cria os circuitos de neurônios. Quanto mais vezes um circuito for ativado, mais forte ele vai ficar. 

Coloque em prática: Quando for ensinar uma nova tarefa para alguém, o melhor jeito da pessoa aprendê-la é repetindo-a várias vezes. Nunca é tarde para líderes ou empregados aprenderem uma nova habilidade ou um novo jeito de fazer as coisas. Mudança pode parecer um pouco difícil às vezes, mas a Neurociência nos diz que ela é possível, independentemente da idade.

2. Nosso cérebro gosta de recompensas

Emoções são muito importantes para a forma que o cérebro muda e aprende. Os sentimentos positivos que são recebidos através do sistema de recompensa reforçam os circuitos e elevam o aprendizado. O sistema de recompensa é muito complexo e possui circuitos em muitas áreas do cérebro e geralmente é regulado pelo neurotransmissor dopamina.

Estudos sobre uso de drogas ilegais associam o uso de substâncias que aumentam a dopamina à sentimentos positivos. Em outros estudos, pesquisadores descobriram que a dopamina também tem participação na atenção e motivação.

Existem dois sistemas principais no cérebro que estão relacionados à atenção e motivação: primário e secundário. O sistema primário está relacionado às necessidades básicas como comer, beber e se proteger. Nos sentimos bem quando essas necessidades estão sendo atendidas. O sistema secundário ajuda a sobrevivência, mas não é essencial para ela. Inclui coisas como informação, poder, confiança, percepção de ser querido pelos outros e senso de comunidade.

Para líderes, as recompensas são maneiras efetivas para se motivar empregados. A Neurociência mostra que algumas recompensas liberam mais dopamina do que outras. Dinheiro ou bens materiais não estão entre elas. Muitas recompensas são relacionadas de alguma forma à interação social.

Coloque em prática: orientados pela ciência, líderes podem rever os seus conceitos sobre motivação e considerar sugestões que realmente são recompensadoras para o cérebro. Existem categorias de recompensas que podem ser realmente úteis para ativar os circuitos de recompensa dos empregados e, consequentemente, aumentar a liberação de dopamina. Mais dopamina significa empregados felizes, com mais foco e mais motivados.

3. O poder dos neurônios-espelho

No início da década de 90 os cientistas descobriram os neurônios-espelho. Eles perceberam que quando uma pessoa vê a outra agindo de uma certa forma, os neurônios do observador da ação agem como se ele próprio fosse o autor da ação. Temos um exemplo muito comum que é o bocejo. A pesquisa mostra que bocejo pode ser contagioso por causa dos neurônios-espelho. Quando uma pessoa boceja e outra observa, os circuitos neuronais de bocejar no cérebro do observador são ativados, fazendo-o bocejar também.

Isso pode explicar como um bocejo parece viajar pelo escritório, mas neurônios-espelho também são importantes para aprendizado, percepção emocional e empatia. Quando vemos alguém fazer alguma coisa, nosso cérebro está aprendendo como se faz. Quando vemos alguém se emocionar, nosso cérebro também processa essa emoção, aumentando empatia.

Neurônios-espelho podem ser importantes para a liderança se percebermos que nossos estados físicos e emocionais como líderes estão servindo de exemplo de como nossos subordinados devem agir e reagir perante os outros. Quando o espelhamento está ligado à um comportamento que já ocorreu antes, o efeito é ainda mais forte. Os neurônios-espelho provam que os humanos são seres sociais. As pessoas estão altamente conectadas pelo ambiente em que vivem.

Coloque em prática: devido à essa conexão, líderes podem criar ambientes onde pessoas podem imitar outras que consigam criar atmosferas de aprendizado e trabalho que sejam colaborativas e cooperativas. As pessoas são importantes para o time e o time é importante para os indivíduos através do poder dos neurônios-espelho.

4. É tudo sobre as emoções

Muitas pessoas querem acreditar que elas podem tomar decisões baseadas exclusivamente na própria vontade e totalmente racionais. De acordo com a ciência, a tomada de decisão não ocorre dessa forma e muitos estudos têm mostrado que existem muitos processos inconscientes que influenciam e ditam o nosso comportamento.

Esses processos são conduzidos por circuitos que formamos desde que somos bem jovens. Na maioria dos casos, já tomamos a decisão antes mesmo que tenhamos pensado profundamente a respeito da situação. Isso acontece no sistema límbico. Nosso córtex cerebral tem que racionalizar a decisão através da linguagem e do planejamento, levando ao que alguns podem chamar de ilusão da própria vontade. Isso não quer dizer que o córtex não consiga influenciar o sistema límbico. Pode ocorrer em pessoas que praticam meditação e mindfulness.

Como líder, é útil saber que quando estamos em situações estressantes ou ameaçadoras, as funções executivas do cérebro desligam, deixando os processos inconscientes do sistema límbico se encarregarem do processo de tomada de decisão. Essa parte do cérebro reage à base de emoções e instintos de sobrevivência.

Dica para o líder: Líderes também precisam saber que, em termos de aprendizagem e construção de equipes, a mudança acontece no sistema límbico e não no córtex cerebral. Com gerenciamento emocional e autoconhecimento, que se inicia com a identificação de intenção genuína, o processo efetivo de mudança acontece.

Criando um ambiente de trabalho baseado no conhecimento do cérebro

As informações apresentadas são um começo para se criar um ambiente de trabalho onde tudo o que ocorre é saudável para o cérebro. Líderes que ignoram o funcionamento do cérebro estão deixando a sua gestão ao acaso: as coisas podem ir muito bem às vezes, mas quando algo de ruim acontece, tudo vai de mal a pior. Ter esse ambiente baseado no cérebro ajuda os líderes a conduzirem seus times em épocas de incertezas.

Cabeça do time: Seja um líder com conhecimento neurocientífico e que ajuda as pessoas a melhorarem o ambiente de trabalho. Assim, o ambiente vai melhorar as pessoas. Um influencia o outro e nesse ambiente haverá uma crescente onda de motivação, crescimento e produtividade. Com o passar do tempo, o ambiente vai realmente mudar o cérebro das pessoas, fazendo com que o time e a organização se adaptem melhor às mudanças.

Fonte: Hppy

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