Quem precisa de Coaching? Como líderes podem se tornar coaches e construir times mais fortes

De acordo com pesquisas recentes, a habilidade mais desejada para gerentes é o coaching. O que transforma alguém em um bom coach e como você pode melhorar as suas habilidades de coaching e ainda na sua carreira durante esse processo?

Podemos observar algumas diferenças essenciais entre gerenciamento e coaching e porque o coaching é a mais complexa habilidade que o líder pode dominar para garantir o sucesso de sua carreira.

Você quer inspirar ou instruir os seus colaboradores? Considere essa estatística esclarecedora: 86% de empregados acham que seus chefes não são inspiradores, segundo a consultoria de negócios Gallup.

Quando executado corretamente, o coaching fornece mais motivação intrínseca.  Em outras palavras, inspirando as pessoas que têm mais iniciativa a tentar e descobrir ainda mais. De acordo com pesquisa realizada pela consultoria McKinsey, quando empregados encontram mais motivação intrínseca, eles são mais 32% mais comprometidos com o seu trabalho e 46% mais satisfeitos em seus empregos.

Qual a diferença entre só gerenciar e liderar aplicando o coaching em seus colaboradores?

A diferença vem de onde está o foco do líder. Gerenciando pessoas, o foco está em dar direções: isso é o que precisa ser feito, esse é o jeito que eu quero que você faça e esse é o prazo em que precisa ser entregue.

O desafio em ser diretivo é que você se transforma em mãe dos seus liderados. Os colaboradores aprendem a sempre responder ao expert, que no caso é o gerente. Mas com o passar do tempo, o gerente fica frustrado. “Por que eu tenho que ter todas as respostas? Como pode haver eficiência se todos ficam esperando pela minha orientação em cada tarefa, por menor que ela seja?” O microgerenciamento se transforma em um looping de feedback, porque os empregados não podem nem se mover sozinhos sem o chefe.

O gerente coach tem uma abordagem colaborativa e empoderada, orientando os membros do time a utilizarem suas próprias fontes de recursos e insights. Diferente de treinar, onde o currículo e a prática definem as metas, o coaching foca no “cliente”, que nesse caso, é o seu colaborador.

Liderando através das mudanças

Ao invés de fornecer conhecimento sobre processos, procedimentos e tarefas obrigatórias, o gerente-coach pede ao seu subordinado que ele mesmo identifique e direcione seus esforços para o que é necessário. A ideia é trazer a tona o inconsciente, enquanto o colaborador descobre as falhas e oportunidades, mais do que ser mandado, repreendido ou criticado em alguma situação. O objetivo do coach é ter discernimento (o conhecimento que vem de dentro) e a mudança comportamental. O discernimento é crucial porque se alguém não vê algo por si mesmo, é porque esse algo não existe. Você pode se conformar com o gerenciamento diretivo. Mas se você quer inspirar os corações e mentes do seu empregado, é tempo de mudar de abordagem, Coach.

Um coach eficiente e interessado em transformar e liderar através da mudança sabe como orientar os seus subordinados para a inovação e novas descobertas. Porém, gerentes eficazes podem ficar impacientes com essa jornada de auto-descoberta e iniciativa própria dos colaboradores, porque ela pode ser um pouco demorada. Quando isso acontece, o microgerenciamento aumenta, a colaboração é afetada, e o engajamento dos empregados cai. A seguir, confira três modos de se tornar um coach melhor para o seu time – e para si mesmo – e como será mais fácil descobrir novos insights e mudar os comportamentos que estão te impedindo de avançar.

1. Aprimore a sua escuta: empregados que sentem que são ouvidos são 4,6 vezes mais suscetíveis a se sentirem empoderados e dar o seu melhor, de acordo com a pesquisa da Salesforce/Forbes. Pelo menos 50% de qualquer conversa é ouvir… a menos, é claro, que você seja um gerente que fique dando instruções o tempo todo. Ouvir é a habilidade mais esquecida e a que mais falta em gerentes. Coaches de verdade sabem ouvir em um nível mais profundo. O que poderia acontecer se o seu time realmente sentisse que você o escuta? Não significa que você tem que conceder desejos ou deixar que os colaboradores comandem tudo. Mas ouvir outros pontos de vista podem moldar o seu, assim como impactar na eficácia de toda a organização.

2. Rejeitar um viés, aceitar uma nova perspectiva: Todos temos vieses cognitivos que refletem no jeito que vemos o mundo. Esse viés (também chamado de ponto de vista) é a razão que nos motiva ou nos paralisa. O coach desafia esses vieses. Relembrando Nelson Mandela: “Parecia impossível, até que foi feito”. Havia muitas coisas na vida que parecem impossíveis: dirigir um carro, casar, amarrar os cadarços dos sapatos… Mesmo assim, aqui estamos nós. Um coach efetivo pratica a autoliderança reconhecendo que todos temos vieses cognitivos. Felizmente, quando esses vieses são vistos e entendidos objetivamente, surge uma nova perspectiva. Você pode ajudar o seu time a deixar um viés para trás? Eles se comprometerão e concordarão com o novo comportamento? Porque se o comprometimento vier deles, você será o responsável a liderá-los em direção a novos resultados.

3. Faça-os se sentirem seguros: Você consegue ouvir os seus empregados e clientes sem julgá-los não importando o que eles digam? É um desafio! O impulso para corrigir, consertar e mudar é muito forte em gerentes eficazes. Felizmente, hoje podemos ter outra abordagem. Coaches percebem o que gerentes deixam passar: não existe crítica construtiva. A única coisa que a crítica constroi é autodefesa. Talvez depois que você refletir sobre a crítica, você pode fazer algo para mudá-la, mas a crítica não ajuda a construir uma atmosfera de segurança. Em outras palavras, precisamos sentir que podemos dizer e fazer qualquer coisa, sem medo de punição, crítica ou correção. Essa segurança é vital para novas ideias. Você consegue oferecer esse ambiente para o seu time? Se não consegue, é compreensível. Mas talvez seja necessário ter mais objetivos para ajudá-lo a conseguir novos resultados. Porque processar informação sem julgamento é fundamental para ajudar pessoas a verem  as coisas de um novo jeito. Os objetivos do coach e do gerente podem ser exatamente os mesmos, mas a abordagem é completamente diferente. Quando os colaboradores veem novas possibilidades, novas metas se formam. Coaches extraordinários criam um ambiente seguro para novas ideias – e esse papel pode ser preenchido pelo gerente.

Gerenciar funcionários é uma parte necessária da cadeia de comando. Quebrar essa cadeia não cria anarquia ou desastre. Ela cria liberdade. Quando o coaching é aplicado corretamente, aumenta a liberdade para o líder e, também, para os colaboradores, que ficam mais empoderados. Motivação vem apenas de um lugar: de dentro de nós. Para mudar um comportamento de verdade e inspirar uma nova eficiência, foque a sua atenção onde está a sua paixão, e então você estará direcionando você e o seu time aos melhores resultados.

Fonte: Forbes